segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

OBAMA





Se o Obama é a esperança,
o que esta esperança representa?
Concentração de poder
num único povo(?)
Presença de sensibilidade
por parte do mundo
que acha neste homem expectativa 
de transformação?
Não há mudança.
Ouço e não me convém 
ficar calado,
aceitar tal ilusão.
Um homem não é estrela
para brilhar sozinho,
representa a sede de consumo
de milhões de estadunidenses,
e isto é fato, basta para meu 
ponto de vista.
Esperanço nos camponeses,
ambientalistas, professores,
pequenos produtores,
poetas, artistas
parte da solução 
para saciar um pouco da sede
e da fome 
que mata uma criança
a cada 5 segundos
no mundo,
são 6 milhões por ano
exterminadas,
e o que fazem homens 
do tipo Obama?
Cheiro de petróleo,
este sim é o prato principal
o mineral
que eles procuram.
Obama é um homem

apenas rótulo dum sistema
predador de sonhadores.
Não me engano
com os planos ‘americanos’
combatentes 
do terror e das crises
criadas 
não sei por quem.
Crise de todos os dias
já que o mundo financeiro
é podre,
400 trilhões em papeis
e pouco mais de 40 em riquezas físicas
ouro, prata e lá se vai...
de verdade.
Deficiente sistema capitalista
detido nos borrões
das fachadas bancarias
alimentado pelos ilusórios sonhos 
duma nobreza falida,
tediosa,
especuladora, mentirosa,
endividada e presa
aos modismos momentâneos,
as superficialidades da vida
moderna
são novelas isoladas 
e envolvidas por trás das cortinas
nos acordos sociais, 
são homens por trás dum outro
Obama
representante duma população
vingativa,
militares, senadores, empresários
sedentos de lucro
e lucro pode-se dá de mortes
é normal que vão-se alguns 
para implantar-se o:
You can! 
Comprar, pagar, matar
de fome milhões todos os anos,
na África, Ásia, Amazônia
latino Americana,

é feito histórico, 
e concentração de riquezas 
poluição
consumismo incontrolável,
obsessão dos ricos
por mais fortunas e proezas 
luxuosas 
luxuria as custas dos mais pobres 
e mortos de opinião, 
incompletos de erudição,
populares seres
que em 2050 serão bilhões
na miséria,
e restos de tocos secos
nas sobras de terra agricultáveis
das nações endinheiradas,
pobreza e guerras nas colinas
desérticas e desmatadas
opressão e abandono 
dos povos sem dono.
Eu poeta coitado prego
educação
a chave da liberdade
para os pássaros presos
na grande gaiola do mundo. 
 
Franz Tägore Jornalmatuto@hotmail.com

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VEIAS PULSANTES





Borbulhas de amor
nos lençóis encharcados
com nosso gozo,
besouros errantes
e zumbidos penetrantes
nas partes aguçadas  
por nossas línguas vadias,
veias pulsantes 
e ébrio poeta galopando
nas suas curvas ventrais,
veneno ácido despejado 
na virilha 
do seu corpo, pouco a pouco
sacodes seus seios 
agora saltitantes 
e vibra num delírio sem igual,
Quantas vezes amor?
Sabor de manga doce
o suor que escorre 
nos seus lábios íntimos
invictos das oferendas
da minha boca ingênua 
viciada a sua isca,

e rolamos juntos pro chão

adormecemos sanados.

Franz Tägore

jornalmatuto@hotmail.com / http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=173243


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

¨ VIENA ¨



Linha de trem e trilhos
estações espalhadas 
e viajantes separados entre 
cabines, 
cadeiras,
carros,
e às quatro já é noite na Viena
e o silêncio se aproxima das janelas
fechadas e as ruas se esvaziam 
e é frio
nos latejantes beijos do vento,
livros, 
cafés,
táxis,  
e gente com pressa, com roupa volumosa
e oferendas ao céu com sopro de fumo,
fulanos e sicranos sem nomes 
não sei os nomes destes viventes.

Alarga-se Viena nas ruas estreitas
históricas centrais das praças abertas
e rolam-se pelo chão pneus 
de carros luxuosos
e são belos os casarios 
de cores pálidas 
e cumeeiras inclinadas,

Franz Tägore  -   jornalmatuto@hotmail.com   -   http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NOVO BRASIL





descobrindo um novo Brasil
escondido das flâmulas turísticas,
nos estreitos bosques mineiros, 
por entre as planícies pantaneiras,
nas areias ásperas do Sertão
de Canudos,
nos mangues e praias desertas 
do litoral amazônico, 
dos atônitos Pampas,
e nas corredeiras águas das florestas tropicais.

Descobrindo um Brasil
destelhado nas praças das capitais,
nos centros históricos 
herança dos colonizadores
que nos deixaram apenas imagens,
e a bela língua portuguesa.

Descobrindo um Brasil
de comunidades nativas
de descendentes indígenas,
de índios autênticos, 
de quilombolas,
e futebol
meninos que já nascem cracks,
uma fatia miúda de educação
e menos distribuição de renda,
descobrindo um Brasil alegórico
nas inspiradoras obras populares,
e os pilares de fortificação dum povo,
de novo 
as mesmas panelas e feijão com arroz,
o samba de roda, capoeira
e terceira resistência 
a erudição
que exclui os menos influentes.

Descobrindo um Brasil místico
de riquezas e possibilidades infinitas
e quem não quer ser brasileiro
ou ao menos morar 
neste lindo pedaço de chão?
Descobrir nos sorrisos diários 
a majestosa felicidade,
a doçura do ‘’bem querer’’,
do “meu amor”.

Descobrindo um Brasil que é novo
que é velho
um Brasil impossível de não gostar
uma pátria amada pelo mundo.  

Franz Tagore

jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sábado, 21 de novembro de 2009

¨ Amazônia ¨



¨ Amazônia ¨ singela fonte
d’água doce, tigela de açaí com dourada
estive em suas entranhas florestais,
verdes e musgos, cogumelos 
comestíveis, e chinelos largados 
a beira do rio Madeira,
guris empapuçados
nas águas oxidadas pelas folhas
apodrecidas da floresta mãe.


Plumagem de arco-íres despeço  
nas largas planícies do seu corpo,
machucado, abusado, desmatado,
cambaleiam os índios
na selva a procura de mantimentos,
animais extintos, instintos 
de fome pro povo da mata.








¨ Amazônia ¨ até onde chegarão
Os arrozais? 
As lavouras de soja serão
o tapete dos nobres? 
Pobres coitados 
dos nativos, tabocas, tocas
peixes, canoas, guarás, 
tucanos, guaxinins, jabutis, 
pombas,
papagaios, sucuris, bacuris,
mangues, nascentes
dos riachos que enchem
as grandes veias
da sua bacia
dos seus igarapés,
dos teus rios flamejantes,
ricos de diamantes 
dourados,
d’ouro, de borbulhas 
dos pirarucus,
das piranhas,
dos tucunarés-açu,
da bicuda e do barbado
ictiofauna sem fim.
   




¨ Amazônia ¨ Marajó, Xingu,
Acre, Raposa Serra do Sol,
fronteiras desprotegidas 
dos invasores
índios iludidos por recursos
em curso uma notícia de guerra
que não tardará, 
 e os que viverão verão
de pé abismados a disputa
de ti Amazônia,
bombas, granadas, metralhas,
medalhas pros melhores atiradores,
mortos, mofo nas raízes de cedro,
fungos distantes
do conflito e o apito
da morte pro mundo,
derretimentos das geleiras
alagamentos
deslizamento de terra 
sem raízes
sal, cal, na catacumba 
dos muitos que morrerão.







¨ Amazônia ¨ obstinada mãe,
pulmão veloz,
presencie capitais pobres,
desassistidas 
pelos governantes, 
escolas na lama, forasteiros
comendo índias
prostíbulos pros representantes do povo
meninas novas nas vilas
esquecidas do Pará,
sacolas vazias na vinda das compras,
desempregados
sem educação, seu povo vive
maioria na informalidade,
cidade de olhos aportuguesados,
qual brilho brilha mais:
dos índios ou dos dominadores?
O brilho nos olhos dos nativos
é desejo de liberdade;
há fugor nas vistas viciadas
dos mau intencionados
caçadores d’ouro, 
traficantes de animais, de aves, de ovos,
miseráveis.





¨ Amazônia ¨ desejado jardim do mundo
mar dos pescadores:
índios, quilombolas, seringueiros,
artesãs,
pequenos agricultores,
extrativistas, 
serra baixa de altas árvores,
esponja de água doce,
laboratório de experiências
autodidatas e acadênmicas,
endêmicas 
espécies da flora e da fauna
das quais são consumidas
sem controle seu sumo,
seu sangue
e o fumo cheira
desgraça,
massacres que estão por vir,
El Dourado dos Carajás,
Homens sem terra,
terras de poucos homens
deputados,
delegados,
empresários grã finos
e mofinos são os que não falam
destas absurdas
injustiças.
¨ Amazônia ¨ tela abstrata
em tons de verde,
sem muros, 
sem paredes, sem atenção,
os teus guardiões são as garras
do clima que muda
são as novas mudas que nascem
mais fortes
pra vingar a devastação
das gigantes árvores de mogno,
hoje tabuas pros nobres
donos do mundo.
e um poeta sem voz 
andou em suas galerias
cheirou suas flores, 
bebeu suas chuvas constantes,
viveu instantes de doçura
e noutro dia que visitar 
os que deixou no seu colo
de mãe floresta. 

¨ Amazônia ¨



¨ Amazônia ¨ singela fonte
d’água doce, tigela de açaí com dourada
estive em suas entranhas florestais,
verdes e musgos, cogumelos 
comestíveis, e chinelos largados 
a beira do rio Madeira,
guris empapuçados
nas águas oxidadas pelas folhas
apodrecidas da floresta mãe.


Plumagem de arco-íres despeço  
nas largas planícies do seu corpo,
machucado, abusado, desmatado,
cambaleiam os índios
na selva a procura de mantimentos,
animais extintos, instintos 
de fome pro povo da mata.








¨ Amazônia ¨ até onde chegarão
Os arrozais? 
As lavouras de soja serão
o tapete dos nobres? 
Pobres coitados 
dos nativos, tabocas, tocas
peixes, canoas, guarás, 
tucanos, guaxinins, jabutis, 
pombas,
papagaios, sucuris, bacuris,
mangues, nascentes
dos riachos que enchem
as grandes veias
da sua bacia
dos seus igarapés,
dos teus rios flamejantes,
ricos de diamantes 
dourados,
d’ouro, de borbulhas 
dos pirarucus,
das piranhas,
dos tucunarés-açu,
da bicuda e do barbado
ictiofauna sem fim.
   




¨ Amazônia ¨ Marajó, Xingu,
Acre, Raposa Serra do Sol,
fronteiras desprotegidas 
dos invasores
índios iludidos por recursos
em curso uma notícia de guerra
que não tardará, 
 e os que viverão verão
de pé abismados a disputa
de ti Amazônia,
bombas, granadas, metralhas,
medalhas pros melhores atiradores,
mortos, mofo nas raízes de cedro,
fungos distantes
do conflito e o apito
da morte pro mundo,
derretimentos das geleiras
alagamentos
deslizamento de terra 
sem raízes
sal, cal, na catacumba 
dos muitos que morrerão.







¨ Amazônia ¨ obstinada mãe,
pulmão veloz,
presencie capitais pobres,
desassistidas 
pelos governantes, 
escolas na lama, forasteiros
comendo índias
prostíbulos pros representantes do povo
meninas novas nas vilas
esquecidas do Pará,
sacolas vazias na vinda das compras,
desempregados
sem educação, seu povo vive
maioria na informalidade,
cidade de olhos aportuguesados,
qual brilho brilha mais:
dos índios ou dos dominadores?
O brilho nos olhos dos nativos
é desejo de liberdade;
há fugor nas vistas viciadas
dos mau intencionados
caçadores d’ouro, 
traficantes de animais, de aves, de ovos,
miseráveis.





¨ Amazônia ¨ desejado jardim do mundo
mar dos pescadores:
índios, quilombolas, seringueiros,
artesãs,
pequenos agricultores,
extrativistas, 
serra baixa de altas árvores,
esponja de água doce,
laboratório de experiências
autodidatas e acadênmicas,
endêmicas 
espécies da flora e da fauna
das quais são consumidas
sem controle seu sumo,
seu sangue
e o fumo cheira
desgraça,
massacres que estão por vir,
El Dourado dos Carajás,
Homens sem terra,
terras de poucos homens
deputados,
delegados,
empresários grã finos
e mofinos são os que não falam
destas absurdas
injustiças.
¨ Amazônia ¨ tela abstrata
em tons de verde,
sem muros, 
sem paredes, sem atenção,
os teus guardiões são as garras
do clima que muda
são as novas mudas que nascem
mais fortes
pra vingar a devastação
das gigantes árvores de mogno,
hoje tabuas pros nobres
donos do mundo.
e um poeta sem voz 
andou em suas galerias
cheirou suas flores, 
bebeu suas chuvas constantes,
viveu instantes de doçura
e noutro dia que visitar 
os que deixou no seu colo
de mãe floresta. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ESTRADA VAZIA



Uma vida por dentro
Que só sinto quando sento
Aquieto-me compenetrado
Afadigado e sem fôlego
Um fogo me queima
Qual leite da morte
Vinho tinto de amante
Grosseira voz de carrasco
Suicídio num penhasco
Palhaço com cara feia
Triste dia de chacina
Cocaína que corre nas veias
Dum talentoso empresário,
Mas, os talentosos são
Os primeiros a si pintarem
Quando o apito misterioso
Os chama, seus espíritos
inflamam-se, se derramam
No corpo desnudo
Um barulho miúdo faz terror
No ouvido do cético cego.
Uma vida por perto
Qual minh'alma ignora
É história de estrada vazia
Vazo inquebrantável da memória.

Franz Tagore jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NA GAIOLA




A grande gaiola da sociedade
armadilha para os poetas
prisão dos pensadores, 
recinto de intimidação.
Qual chance eu tenho de sai ileso? 
Já me chamam de louco,
paranóico, 
pois bem, sou louco,
frenético, mas 
sou livre.

Não me interessam
as iscas mórbidas 
e as falsas promessas 
e a fama, 
estou com os pés na lama
fria
sou árvore que cresce,
pequena fagulha de poesia,
sou teatro encoberto,
conto de tolo,
fora da gaiola, da grande gaiola 
donde muitos estão presos,
por dinheiro, por status
estou só, sem nome, mas livre.

Franz Tagore / jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LIBERTAÇÃO




Não digo que sejam libertos,
Os cidadãos mundanos
Descendentes da opressão.
São na verdade a ‘casta’
Escrava dos ‘arquitetos’
Que hoje os domina.
Mulheres e homens 
Desestruturados mentalmente,
Devagar, lentamente...
Vão-se em filas grandes,
Juntos, contritamente,
Bamboleando suas vidas,
Delineando suas dúvidas.

Na America que não chega
Nunca esta tal de dignidade,
Que só as verdades dos ricos
Prevalecem, mas impostas,
Sem respostas para a fome,
Sem nome para as crianças,
Que vivem na lama, 
Sem saber, sem ‘grana’.
Um restinho de espera
Ecoa no vazio como esperança,
Resta esperar um milagre(?)
Tem gente que não crer,
Si é mesmo verdade a ‘missa’,
Suas premissas vão dizer:
Que a terra é grande, 
E poucos são seus donos.
Nas ruas vivem gente,
Fora de casas, ‘apartadas’
Dos luxuosos apartamentos. 
Gente sem nome, 
Dormindo ao relento,  
Nas calçadas fétidas
Dos cuspes do dia a dia.

Onde estão os meus 
Antepassados?
Que passam por este 
Tão triste decadente 
 Andamento.
Cegos! Inoperantes!
Deixam-se seduzir
Pelas migalhas largadas,
Contentam-se com lixo,
Com o capricho dos ‘donos’
Do mundo.

Libertação?!
Libertação?!

Reajam aos dominadores
Não deixem que os façam 
Escravas e escravos indiretos,
Sejam resistentes 
A duradoura batalha
Que outrora perdemos.
Mas que agora 
Estamos prestes a vencer.
E viver é preciso?
Basta de história ‘furada’
Tomemos o leme desta 
Grande barca, e rememos
Ao norte libertador,
Longe das tiranias  
Dos que nos afligem.


Libertação! Libertação!


jornalmatuto@homail.com http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sábado, 7 de novembro de 2009

MERO POEMA




Pincéis parados e vasos vazios
Livros, páginas marcadas e versos

No corredor da casa que moro,
Cobertores estendidos, letras
Desorganizadas na agenda
Cartas de amante
Tesouras, jornais e janela 
Aberta.
Telas prontas, cartazes e panos
Esquemas de cores, café e pratos
sujos na cozinha.
Lá fora cantam os pardais
Riem os rivais que passam
Nas ruas calçadas de pedras 
E de lages graníticas. 
Uma rede posta na sala
Onde há pouco lia
As entrelinhas de Neruda
E me refazia das noites perdidas. 
O gato que vez ou outra me visita

Deitado ao pé da mesa
belisca-me.
Mais calma minha cabeça agora
pensa, 
e compõe este mero poema.  

Franz Tagore 

Foto por: Erwin Gross


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PONTO DE VISTA




O recomeço é o ponto de partida
Dum começo para outro reinicio.
Digo isto dum ponto de vista
Do tempo que agora reconheço
Como caminho dos nossos delírios.
Percebendo um notável desnível
na embarcação que leva-nos
á um ponto de recomeço,
sabemos então dum inicio para
outros pontos de vista.
Considero próprio da mulher
o hábito do redirecionamento
dos seus rumos, e aplumamento
dos seus planos, um novo plano
para escapar do mesmo ponto.
Pronto nunca estaremos
Para enxergarmos os motes
Do outrem
que atravessa o mesmo plano.
Nas águas que queremos navegar
Há calmaria, brisa leve e doce,
Quem me dera fosse neste momento
a partida
pro outro ponto que tenho em vista.


Franz Tagore

terça-feira, 3 de novembro de 2009

GAIOLA DO MUNDO

Os pingos de chuva amargos
Chuviscou meu corpo desequilibrado
E entre os becos e botecos
Ando a esmo como um Pinóquio
Desconjuntado, mentiroso.
Toda amargura depois da chuva
Resfria meu corpanzil de grilo
É o que sou agora.
Entro na casa de um amigo
E mitigo um quente café
Despejado numa xícara com asa
Ouso ficar em silêncio
E mantenho-me vivo
Arredio de qualquer sorte.
Inconfessável bravura
Súdito esmilingüido
Sem nome nem apelido.
Torno a porta de pé
Desta vez com mais disposição
Ignoro a presença dos meus
Abro a porta da frente
Atiro-me ao mundo
Gaiola que fico acoplado,
Sou preso no seu espaço
no seu estômago combustivo.

Franz Tagore

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

METAMORFOSE





Quem me procura na aparência antiga de lagarta?
Não me encontrará. Pois foi a metamorfose,
que deu-me asinhas coloridas.
Há pouco era um louco,
que varria das vistas
o verde das folhas.
Tanta clorofila,
Tanta fila,
Fiquei
Feio.
Agouro?
Agora não mais.
Apenas transformação,
Crescimento retilíneo das asas,
Desenvolvimento da imaginação.
Estou vívido nos campos da vida que aflora,
Afora das tendas do preconceito, eis que tinha no peito.
Tenho ido e vindo no meio da flora, nos bons sentimentos d’agora.
Quem me deu bons fluídos, a natureza, a florzinha, ou a poesia desta hora?

FRANZ TAGORE

LAMENTO




Até que tento
escrever versos de contento
mas, há escuridão que encobre
a alegria dentro de mim
me esforço no intuito
de manter-me em boas ondas
duma energia positiva,
não desta fatia, doutra parte
dum gomo de laranja podre.
Caminhos difusos no cinza
indefensos por seus gestos
de intranqüilidade.
Sombreados pensamentos.
Lamento não escrever boa poesia;
Não encantar corações
Falando de amores;
Lamento estar doente,
Perto da morte, isolado do mundo.
Envolvi as cores dos quadros,
consumi as rimas nos versos
e perdi a serenidade
só me resta a fotografia,
onde paraliso sinais contentes
dos que tem algo para sorri
isto já perdi por desatento, lamento.


Franz Tagore

domingo, 1 de novembro de 2009

LIBERDADE


L
I
B
E
Me R
Vejo D
Preso A
Nos dias, D
Nas horas, E
Nos meses e
Anos. Premido
Entre as paredes
Desta grande casa,
De onde canto triste,
Donde choro no canto.
Desde pequeno no berço
Fui enjaulado, bem-criado?
Liberdade não
Conheço, não
tenho no peito
para te anotar
liberdade não
mereço, pois,
não sei usar,
alvedrio não,
vivo reprimido
não sei voejar

Franz Tagore

CÂNCER




Dominado o homem agora chora,
Já secam suas lágrimas legítimas,
Tem dor
E ardor na sua garganta
E são tantas as corrosões,
Que escorre coágulos
Como salmoura de carne bovina,
Poucos dias de vida
Restam-lhe, oh bom homem.
O carcinoma te devora vivo
E toma-te pelo braço
E te leva para a morte,
Tu és forte, e ainda resiste,
Magricelo, quase sem forças,
Andeja entre os caminhos
Mais incômodos.
Está ferido homem,
E para onde vai?
Não importa aonde vá,
Em sua execrada sombra
Rasteja um ferimento,
Um escorrimento de sangue,
A doença irá contigo
E te absorverá,
Ate que caia e faleça.

Franz Tagore

sábado, 31 de outubro de 2009

A TRANSA


Cobras mortas no caminho
Imã de pênis nas pernas
Sémem derramado na vagina
Resto de prazer e cópia
De romance rasgado, espalhado
Na peça da casa
Luz acesa na sala
Varanda vazia de vozes
Suor escorrendo nas costas
Seios redondos nas mãos
Beijos molhados de saliva
Néctar, Mel, vinho seco
Mamilos arrepiados
Tocados por dedos habilidosos
Beijo de língua no umbigo
Gritos baixos
Cama rangendo no chão
Movimento repetidamente solto
Entre um corpo e outro
Esquecimento do mundo.
Pelos pubianos que se roçam
Abarcamentos apertados
Unhas cravadas nas nádegas
Cheiro de sexo no quarto
Gozo despejado no rosto.

Franz Tagore

DESAFINAMENTO



Pelo de gato na cama
escama de peixe no prato
veneno de rato no queijo
beijo na boceta doce
dor de cabeça na testa
festa do touro no curral
varal de cordel no mato
tinta na tela branca
lama de massapê no calcanhar
dedo fino de menino
peito redondo de Judite
barriga verde de Felipe
tons de cinza no céu
Corel draw no not book
Roupa estendida na cerca da roça
farofa de galinha no bogó
rapadura raspada no fubá
quipá de ema no terreiro
galo cantando na madrugada
feijão, arroz e umbuzada
corda Grossa na cacimba
banho de piscina na lagoa
frase escrita num papel bonito
cartão postal da caatinga
carne de sol assada no sal

Franz Tagore




foto por: Cristophle Chat Verre

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O CANTO


Imagino as grandes frases
Criadas numa conversa à tarde,
Quando o sol brando, sem quentura
Deixa os bons fluidos adentrarem
Nossos órgãos,
E no inicio de um dia
Quando o sol nasce
Ainda no frio da madrugada,
Também produz boas poesias.
E nas horas que a saudade
Se mostra viva e presente,
Que nos indica o significado
Da distância,
E quando não entendemos
Só escrevemos
O que sentimos
Dentro da gente.
É o mesmo que chorar,
Não temos como dizer,
E as palavras
Derramam-se em lagrimas.
Eu estou com saudades,
Mas, apenas canto.
E deixo que o tempo,
Me leve a quem eu quero.

Franz Tagore

Foto por: Robsson Rodriguess outras mais no: http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

Em silêncio


Agora estou sozinho na escuridão da noite
Lembrando-me de ti, da tua alegria espontânea
Fazendo versos para acalmar meu coração que te quer
Ouvindo os grilos e os bichos do ocaso
Imaginando sua face jovem
Pairada a minha frente
Desafiando-me
Sempre

Neste
Instante
Vou tentar dormir
Espero não sonhar contigo
Seria apenas a antecipação da minha dor
Aguardo amanhecer e saber se te esqueci de uma vez
Se não te deslembrar amanhã vou te visitar
Para meus olhos te dizerem
Em silêncio
Amo-te


************************************************************************

In silence

I’m now alone in the darkness of the night,
I remember you, and your happiness so spontaneous,
I’m writing these words to calm down my heart that loves you,
Hearing cricket and other whispers of the dawn,
Imagining your young face,
Frozen in front of me,
Braving me,
Always,

Within
A few minutes,
I’ll try to get some sleep,
I hope I won’t find you inside,
It would be just starting the pain too early,
I wait for the sunrise, and to know if I’ll suddenly forget you,
If I won’t, I’ll be with you tomorrow,
So that my eyes can say,
In silence,
I love you.


Franz Tagore

Foto por: Martina Nagl. Tradução do texto para inglês por: Jean Beariux
mais fotos no: http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O CICLO



Idas e voltas ao meu interior
Tentando encontrar respostas.
O coração descompassado
Palpita inevitavelmente rápido.
A busca por chão firme inibe
Minhas concretizações filosóficas.
Sou eu quem está aqui triste,
Por um instante, mas logo vou
Estar alegre e vibrante novamente.
Alguns dias dentro do meu casulo,
Escondido da luz, dos ventos,
Do verde da floresta, dos meus.
E depois acordo para realidade,
Como se acordasse dum sonho.
Continuo a viver, a exibir o colorido
Das minhas asinhas imaginárias.
E depois do retiro emocional volto
Ao campo da fatalidade ocorrida,
Sou novilho, recuperei-me bem.
Estou pronto para uma próxima,
Estou mais forte para a que virá.


Franz Tagore

fotos destas sete primeiras públicações: E. Martina Nagl; Robsson Rodriguess

A CHUVA


Moro num semi deserto
Que quase nunca chove.
Hoje por aqui choveu
E refrescou os ânimos
Dum poeta triste.
Um banho de chuva me bastou
Para tirar a poeira da solidão
Que me assola,
E o tempo que me amola,
Deixou uma brecha de luz
No meu caminho tortuoso.
Choveu esperança
Para um homem de fé,
E me animou
A chuva desta tarde de outubro.
Alguns instantes de alegria
E ninguém do meu lado
Para compartir de tal emoção.
Nestes primeiros dias, só,
Conversarei com os fantasmas
Duma jovem que há pouco
Esteve aqui, justo nesta peça,
Sorrindo e cantando,
Colorindo as paredes,
Que agora são pálidas.

Franz Tagore

A ESTRADA


Num suspiro de alívio
Paro e contemplo
As novas nuvens
Que apontam o horizonte.
Massas abstratas
Tingidas de Hélio,
Trazem esperança de chuva
Neste que é um semideserto.
A beira da estrada que caminho
Um ninho emanharado
Do sol doce da manhã,
Que sobe rápido
Na linha horizontal da aurora
E vou-me embora
Depois duns suspiros
E de ouvir os cantos
Dos passarinhos,
E vou-me sozinho
Andante neste caminho,
Pedregoso, espinescente,
Sem mágoas,
Sem tristeza,
E nem exatidão
Do meu destino.
De menino, sem mimo.

Franz Tagore

terça-feira, 27 de outubro de 2009

VENTO NA JANELA


O frio da solidão
Entra pela janela,
E não tenho você
Para me agasalhar,
Nem na cama logo mais
À noite,
Nem na noite d’outro dia
Que virá.
Apenas o fantasma
Dum vulto colorido
Que transpassa
As paredes desta casa.
E do lado de fora da janela
Um céu que outrora
Era azul,
Mas que agora chora
E tem cor cinza,
E sem rima
As estrofes andam a esmo
E nem eu mesmo sei
Donde pisar.
Rastejo os lugares
Por onde nos amamos
E sem saber onde você estar
Procuro-te em qualquer parte.

Franz Tagore

CACTACEA


Laranjas abas
As pétalas polarizadas,
Franjas da tua saia
Quipá de ema 
Flor cactácea das areias,
Engana os olhos 
Dos curiosos
Que te pretendem...
Ornamento do deserto
Que ao atino do meio dia
Desabrocha sem temer
O solstício sertanejo,
E embeleza 
As fazendas, 
As ribanceiras dos rios
Das baixadas
Flor de quipá
Fonte de néctar 
Das arapuás,
Das mandaçaias,
Das manduris,
Palma dos chãos
Remotos, desabitados,
Coroa de retalhos 
Alaranjados.  
 
Franz Tagore



ARRANJO D’OURO


Hoje meus olhos cobiçaram
Estas lindas flores amarelas
Que pra mim são pinceladas
Dum mestre Van Gogh
Chuva de ouro derramando
Esperança num chão abatido
Primavera que chega
E deixa boa impressão
Para os pálidos que lhe miram,
Mas muitos são cegos
E precisam que lhes mostrem
De perto num papel bonito
O tapete de áurico espesso
Numa fuga das finas flores
Caídas dos galhos fortes
Da Caraibeira na roça.
E meus ouvidos escutaram
O ti-ti-ti dos pássaros,
O glamour dos bem-te-vis,
Erudição para minha vida,
Que por alguns momentos
Passa com saudades
E se vê na pressa de pensar
E não repara nas maravilhas
Como a deste arranjo de ouro.

Franz Tagore

AEROPORTO



Vai-se o meu amor
Voar de volta ao Danúbio.
E eu? Aonde vou agora?
Últimos beijos antes da partida
E meu coração ficou apertado.
Não há muito que fazer,
Vejo-a andar em direção
A sala de embarque,
E cada vez mais distante
Ela fica de mim.
Agora sei que é verdade.
Um último vulto surge,
Em meio às outras pessoas.
Vai querida,
E me leva em teu coração.
Por que você está no meu,
Agora em forma de saudade,
Só seu cheiro,
que fica.
Logo estará na Frankfurt,
No frio dos Alpes da Áustria.
E quem estará com você?
Para te aquecer?
Mas, é preciso que soframos,
E que a ardente lentidão do tempo
Coloque-nos em seu colo. 

Franz Tagore