domingo, 1 de novembro de 2009

CÂNCER




Dominado o homem agora chora,
Já secam suas lágrimas legítimas,
Tem dor
E ardor na sua garganta
E são tantas as corrosões,
Que escorre coágulos
Como salmoura de carne bovina,
Poucos dias de vida
Restam-lhe, oh bom homem.
O carcinoma te devora vivo
E toma-te pelo braço
E te leva para a morte,
Tu és forte, e ainda resiste,
Magricelo, quase sem forças,
Andeja entre os caminhos
Mais incômodos.
Está ferido homem,
E para onde vai?
Não importa aonde vá,
Em sua execrada sombra
Rasteja um ferimento,
Um escorrimento de sangue,
A doença irá contigo
E te absorverá,
Ate que caia e faleça.

Franz Tagore

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