terça-feira, 3 de novembro de 2009

GAIOLA DO MUNDO

Os pingos de chuva amargos
Chuviscou meu corpo desequilibrado
E entre os becos e botecos
Ando a esmo como um Pinóquio
Desconjuntado, mentiroso.
Toda amargura depois da chuva
Resfria meu corpanzil de grilo
É o que sou agora.
Entro na casa de um amigo
E mitigo um quente café
Despejado numa xícara com asa
Ouso ficar em silêncio
E mantenho-me vivo
Arredio de qualquer sorte.
Inconfessável bravura
Súdito esmilingüido
Sem nome nem apelido.
Torno a porta de pé
Desta vez com mais disposição
Ignoro a presença dos meus
Abro a porta da frente
Atiro-me ao mundo
Gaiola que fico acoplado,
Sou preso no seu espaço
no seu estômago combustivo.

Franz Tagore

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