sábado, 7 de novembro de 2009

MERO POEMA




Pincéis parados e vasos vazios
Livros, páginas marcadas e versos

No corredor da casa que moro,
Cobertores estendidos, letras
Desorganizadas na agenda
Cartas de amante
Tesouras, jornais e janela 
Aberta.
Telas prontas, cartazes e panos
Esquemas de cores, café e pratos
sujos na cozinha.
Lá fora cantam os pardais
Riem os rivais que passam
Nas ruas calçadas de pedras 
E de lages graníticas. 
Uma rede posta na sala
Onde há pouco lia
As entrelinhas de Neruda
E me refazia das noites perdidas. 
O gato que vez ou outra me visita

Deitado ao pé da mesa
belisca-me.
Mais calma minha cabeça agora
pensa, 
e compõe este mero poema.  

Franz Tagore 

Foto por: Erwin Gross


Nenhum comentário:

Postar um comentário