Pincéis parados e vasos vazios
Livros, páginas marcadas e versos
No corredor da casa que moro,
Cobertores estendidos, letras
Desorganizadas na agenda
Cartas de amante
Tesouras, jornais e janela
Aberta.
Telas prontas, cartazes e panos
Esquemas de cores, café e pratos
sujos na cozinha.
Lá fora cantam os pardais
Riem os rivais que passam
Nas ruas calçadas de pedras
E de lages graníticas.
Uma rede posta na sala
Onde há pouco lia
As entrelinhas de Neruda
E me refazia das noites perdidas.
O gato que vez ou outra me visita
Deitado ao pé da mesa
belisca-me.
Mais calma minha cabeça agora
pensa,
e compõe este mero poema.
Franz Tagore
Foto por: Erwin Gross

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