sábado, 21 de novembro de 2009

¨ Amazônia ¨



¨ Amazônia ¨ singela fonte
d’água doce, tigela de açaí com dourada
estive em suas entranhas florestais,
verdes e musgos, cogumelos 
comestíveis, e chinelos largados 
a beira do rio Madeira,
guris empapuçados
nas águas oxidadas pelas folhas
apodrecidas da floresta mãe.


Plumagem de arco-íres despeço  
nas largas planícies do seu corpo,
machucado, abusado, desmatado,
cambaleiam os índios
na selva a procura de mantimentos,
animais extintos, instintos 
de fome pro povo da mata.








¨ Amazônia ¨ até onde chegarão
Os arrozais? 
As lavouras de soja serão
o tapete dos nobres? 
Pobres coitados 
dos nativos, tabocas, tocas
peixes, canoas, guarás, 
tucanos, guaxinins, jabutis, 
pombas,
papagaios, sucuris, bacuris,
mangues, nascentes
dos riachos que enchem
as grandes veias
da sua bacia
dos seus igarapés,
dos teus rios flamejantes,
ricos de diamantes 
dourados,
d’ouro, de borbulhas 
dos pirarucus,
das piranhas,
dos tucunarés-açu,
da bicuda e do barbado
ictiofauna sem fim.
   




¨ Amazônia ¨ Marajó, Xingu,
Acre, Raposa Serra do Sol,
fronteiras desprotegidas 
dos invasores
índios iludidos por recursos
em curso uma notícia de guerra
que não tardará, 
 e os que viverão verão
de pé abismados a disputa
de ti Amazônia,
bombas, granadas, metralhas,
medalhas pros melhores atiradores,
mortos, mofo nas raízes de cedro,
fungos distantes
do conflito e o apito
da morte pro mundo,
derretimentos das geleiras
alagamentos
deslizamento de terra 
sem raízes
sal, cal, na catacumba 
dos muitos que morrerão.







¨ Amazônia ¨ obstinada mãe,
pulmão veloz,
presencie capitais pobres,
desassistidas 
pelos governantes, 
escolas na lama, forasteiros
comendo índias
prostíbulos pros representantes do povo
meninas novas nas vilas
esquecidas do Pará,
sacolas vazias na vinda das compras,
desempregados
sem educação, seu povo vive
maioria na informalidade,
cidade de olhos aportuguesados,
qual brilho brilha mais:
dos índios ou dos dominadores?
O brilho nos olhos dos nativos
é desejo de liberdade;
há fugor nas vistas viciadas
dos mau intencionados
caçadores d’ouro, 
traficantes de animais, de aves, de ovos,
miseráveis.





¨ Amazônia ¨ desejado jardim do mundo
mar dos pescadores:
índios, quilombolas, seringueiros,
artesãs,
pequenos agricultores,
extrativistas, 
serra baixa de altas árvores,
esponja de água doce,
laboratório de experiências
autodidatas e acadênmicas,
endêmicas 
espécies da flora e da fauna
das quais são consumidas
sem controle seu sumo,
seu sangue
e o fumo cheira
desgraça,
massacres que estão por vir,
El Dourado dos Carajás,
Homens sem terra,
terras de poucos homens
deputados,
delegados,
empresários grã finos
e mofinos são os que não falam
destas absurdas
injustiças.
¨ Amazônia ¨ tela abstrata
em tons de verde,
sem muros, 
sem paredes, sem atenção,
os teus guardiões são as garras
do clima que muda
são as novas mudas que nascem
mais fortes
pra vingar a devastação
das gigantes árvores de mogno,
hoje tabuas pros nobres
donos do mundo.
e um poeta sem voz 
andou em suas galerias
cheirou suas flores, 
bebeu suas chuvas constantes,
viveu instantes de doçura
e noutro dia que visitar 
os que deixou no seu colo
de mãe floresta. 

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