quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A CHUVA


Moro num semi deserto
Que quase nunca chove.
Hoje por aqui choveu
E refrescou os ânimos
Dum poeta triste.
Um banho de chuva me bastou
Para tirar a poeira da solidão
Que me assola,
E o tempo que me amola,
Deixou uma brecha de luz
No meu caminho tortuoso.
Choveu esperança
Para um homem de fé,
E me animou
A chuva desta tarde de outubro.
Alguns instantes de alegria
E ninguém do meu lado
Para compartir de tal emoção.
Nestes primeiros dias, só,
Conversarei com os fantasmas
Duma jovem que há pouco
Esteve aqui, justo nesta peça,
Sorrindo e cantando,
Colorindo as paredes,
Que agora são pálidas.

Franz Tagore

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