segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NOVO BRASIL





descobrindo um novo Brasil
escondido das flâmulas turísticas,
nos estreitos bosques mineiros, 
por entre as planícies pantaneiras,
nas areias ásperas do Sertão
de Canudos,
nos mangues e praias desertas 
do litoral amazônico, 
dos atônitos Pampas,
e nas corredeiras águas das florestas tropicais.

Descobrindo um Brasil
destelhado nas praças das capitais,
nos centros históricos 
herança dos colonizadores
que nos deixaram apenas imagens,
e a bela língua portuguesa.

Descobrindo um Brasil
de comunidades nativas
de descendentes indígenas,
de índios autênticos, 
de quilombolas,
e futebol
meninos que já nascem cracks,
uma fatia miúda de educação
e menos distribuição de renda,
descobrindo um Brasil alegórico
nas inspiradoras obras populares,
e os pilares de fortificação dum povo,
de novo 
as mesmas panelas e feijão com arroz,
o samba de roda, capoeira
e terceira resistência 
a erudição
que exclui os menos influentes.

Descobrindo um Brasil místico
de riquezas e possibilidades infinitas
e quem não quer ser brasileiro
ou ao menos morar 
neste lindo pedaço de chão?
Descobrir nos sorrisos diários 
a majestosa felicidade,
a doçura do ‘’bem querer’’,
do “meu amor”.

Descobrindo um Brasil que é novo
que é velho
um Brasil impossível de não gostar
uma pátria amada pelo mundo.  

Franz Tagore

jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sábado, 21 de novembro de 2009

¨ Amazônia ¨



¨ Amazônia ¨ singela fonte
d’água doce, tigela de açaí com dourada
estive em suas entranhas florestais,
verdes e musgos, cogumelos 
comestíveis, e chinelos largados 
a beira do rio Madeira,
guris empapuçados
nas águas oxidadas pelas folhas
apodrecidas da floresta mãe.


Plumagem de arco-íres despeço  
nas largas planícies do seu corpo,
machucado, abusado, desmatado,
cambaleiam os índios
na selva a procura de mantimentos,
animais extintos, instintos 
de fome pro povo da mata.








¨ Amazônia ¨ até onde chegarão
Os arrozais? 
As lavouras de soja serão
o tapete dos nobres? 
Pobres coitados 
dos nativos, tabocas, tocas
peixes, canoas, guarás, 
tucanos, guaxinins, jabutis, 
pombas,
papagaios, sucuris, bacuris,
mangues, nascentes
dos riachos que enchem
as grandes veias
da sua bacia
dos seus igarapés,
dos teus rios flamejantes,
ricos de diamantes 
dourados,
d’ouro, de borbulhas 
dos pirarucus,
das piranhas,
dos tucunarés-açu,
da bicuda e do barbado
ictiofauna sem fim.
   




¨ Amazônia ¨ Marajó, Xingu,
Acre, Raposa Serra do Sol,
fronteiras desprotegidas 
dos invasores
índios iludidos por recursos
em curso uma notícia de guerra
que não tardará, 
 e os que viverão verão
de pé abismados a disputa
de ti Amazônia,
bombas, granadas, metralhas,
medalhas pros melhores atiradores,
mortos, mofo nas raízes de cedro,
fungos distantes
do conflito e o apito
da morte pro mundo,
derretimentos das geleiras
alagamentos
deslizamento de terra 
sem raízes
sal, cal, na catacumba 
dos muitos que morrerão.







¨ Amazônia ¨ obstinada mãe,
pulmão veloz,
presencie capitais pobres,
desassistidas 
pelos governantes, 
escolas na lama, forasteiros
comendo índias
prostíbulos pros representantes do povo
meninas novas nas vilas
esquecidas do Pará,
sacolas vazias na vinda das compras,
desempregados
sem educação, seu povo vive
maioria na informalidade,
cidade de olhos aportuguesados,
qual brilho brilha mais:
dos índios ou dos dominadores?
O brilho nos olhos dos nativos
é desejo de liberdade;
há fugor nas vistas viciadas
dos mau intencionados
caçadores d’ouro, 
traficantes de animais, de aves, de ovos,
miseráveis.





¨ Amazônia ¨ desejado jardim do mundo
mar dos pescadores:
índios, quilombolas, seringueiros,
artesãs,
pequenos agricultores,
extrativistas, 
serra baixa de altas árvores,
esponja de água doce,
laboratório de experiências
autodidatas e acadênmicas,
endêmicas 
espécies da flora e da fauna
das quais são consumidas
sem controle seu sumo,
seu sangue
e o fumo cheira
desgraça,
massacres que estão por vir,
El Dourado dos Carajás,
Homens sem terra,
terras de poucos homens
deputados,
delegados,
empresários grã finos
e mofinos são os que não falam
destas absurdas
injustiças.
¨ Amazônia ¨ tela abstrata
em tons de verde,
sem muros, 
sem paredes, sem atenção,
os teus guardiões são as garras
do clima que muda
são as novas mudas que nascem
mais fortes
pra vingar a devastação
das gigantes árvores de mogno,
hoje tabuas pros nobres
donos do mundo.
e um poeta sem voz 
andou em suas galerias
cheirou suas flores, 
bebeu suas chuvas constantes,
viveu instantes de doçura
e noutro dia que visitar 
os que deixou no seu colo
de mãe floresta. 

¨ Amazônia ¨



¨ Amazônia ¨ singela fonte
d’água doce, tigela de açaí com dourada
estive em suas entranhas florestais,
verdes e musgos, cogumelos 
comestíveis, e chinelos largados 
a beira do rio Madeira,
guris empapuçados
nas águas oxidadas pelas folhas
apodrecidas da floresta mãe.


Plumagem de arco-íres despeço  
nas largas planícies do seu corpo,
machucado, abusado, desmatado,
cambaleiam os índios
na selva a procura de mantimentos,
animais extintos, instintos 
de fome pro povo da mata.








¨ Amazônia ¨ até onde chegarão
Os arrozais? 
As lavouras de soja serão
o tapete dos nobres? 
Pobres coitados 
dos nativos, tabocas, tocas
peixes, canoas, guarás, 
tucanos, guaxinins, jabutis, 
pombas,
papagaios, sucuris, bacuris,
mangues, nascentes
dos riachos que enchem
as grandes veias
da sua bacia
dos seus igarapés,
dos teus rios flamejantes,
ricos de diamantes 
dourados,
d’ouro, de borbulhas 
dos pirarucus,
das piranhas,
dos tucunarés-açu,
da bicuda e do barbado
ictiofauna sem fim.
   




¨ Amazônia ¨ Marajó, Xingu,
Acre, Raposa Serra do Sol,
fronteiras desprotegidas 
dos invasores
índios iludidos por recursos
em curso uma notícia de guerra
que não tardará, 
 e os que viverão verão
de pé abismados a disputa
de ti Amazônia,
bombas, granadas, metralhas,
medalhas pros melhores atiradores,
mortos, mofo nas raízes de cedro,
fungos distantes
do conflito e o apito
da morte pro mundo,
derretimentos das geleiras
alagamentos
deslizamento de terra 
sem raízes
sal, cal, na catacumba 
dos muitos que morrerão.







¨ Amazônia ¨ obstinada mãe,
pulmão veloz,
presencie capitais pobres,
desassistidas 
pelos governantes, 
escolas na lama, forasteiros
comendo índias
prostíbulos pros representantes do povo
meninas novas nas vilas
esquecidas do Pará,
sacolas vazias na vinda das compras,
desempregados
sem educação, seu povo vive
maioria na informalidade,
cidade de olhos aportuguesados,
qual brilho brilha mais:
dos índios ou dos dominadores?
O brilho nos olhos dos nativos
é desejo de liberdade;
há fugor nas vistas viciadas
dos mau intencionados
caçadores d’ouro, 
traficantes de animais, de aves, de ovos,
miseráveis.





¨ Amazônia ¨ desejado jardim do mundo
mar dos pescadores:
índios, quilombolas, seringueiros,
artesãs,
pequenos agricultores,
extrativistas, 
serra baixa de altas árvores,
esponja de água doce,
laboratório de experiências
autodidatas e acadênmicas,
endêmicas 
espécies da flora e da fauna
das quais são consumidas
sem controle seu sumo,
seu sangue
e o fumo cheira
desgraça,
massacres que estão por vir,
El Dourado dos Carajás,
Homens sem terra,
terras de poucos homens
deputados,
delegados,
empresários grã finos
e mofinos são os que não falam
destas absurdas
injustiças.
¨ Amazônia ¨ tela abstrata
em tons de verde,
sem muros, 
sem paredes, sem atenção,
os teus guardiões são as garras
do clima que muda
são as novas mudas que nascem
mais fortes
pra vingar a devastação
das gigantes árvores de mogno,
hoje tabuas pros nobres
donos do mundo.
e um poeta sem voz 
andou em suas galerias
cheirou suas flores, 
bebeu suas chuvas constantes,
viveu instantes de doçura
e noutro dia que visitar 
os que deixou no seu colo
de mãe floresta. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ESTRADA VAZIA



Uma vida por dentro
Que só sinto quando sento
Aquieto-me compenetrado
Afadigado e sem fôlego
Um fogo me queima
Qual leite da morte
Vinho tinto de amante
Grosseira voz de carrasco
Suicídio num penhasco
Palhaço com cara feia
Triste dia de chacina
Cocaína que corre nas veias
Dum talentoso empresário,
Mas, os talentosos são
Os primeiros a si pintarem
Quando o apito misterioso
Os chama, seus espíritos
inflamam-se, se derramam
No corpo desnudo
Um barulho miúdo faz terror
No ouvido do cético cego.
Uma vida por perto
Qual minh'alma ignora
É história de estrada vazia
Vazo inquebrantável da memória.

Franz Tagore jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NA GAIOLA




A grande gaiola da sociedade
armadilha para os poetas
prisão dos pensadores, 
recinto de intimidação.
Qual chance eu tenho de sai ileso? 
Já me chamam de louco,
paranóico, 
pois bem, sou louco,
frenético, mas 
sou livre.

Não me interessam
as iscas mórbidas 
e as falsas promessas 
e a fama, 
estou com os pés na lama
fria
sou árvore que cresce,
pequena fagulha de poesia,
sou teatro encoberto,
conto de tolo,
fora da gaiola, da grande gaiola 
donde muitos estão presos,
por dinheiro, por status
estou só, sem nome, mas livre.

Franz Tagore / jornalmatuto@hotmail.com / http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LIBERTAÇÃO




Não digo que sejam libertos,
Os cidadãos mundanos
Descendentes da opressão.
São na verdade a ‘casta’
Escrava dos ‘arquitetos’
Que hoje os domina.
Mulheres e homens 
Desestruturados mentalmente,
Devagar, lentamente...
Vão-se em filas grandes,
Juntos, contritamente,
Bamboleando suas vidas,
Delineando suas dúvidas.

Na America que não chega
Nunca esta tal de dignidade,
Que só as verdades dos ricos
Prevalecem, mas impostas,
Sem respostas para a fome,
Sem nome para as crianças,
Que vivem na lama, 
Sem saber, sem ‘grana’.
Um restinho de espera
Ecoa no vazio como esperança,
Resta esperar um milagre(?)
Tem gente que não crer,
Si é mesmo verdade a ‘missa’,
Suas premissas vão dizer:
Que a terra é grande, 
E poucos são seus donos.
Nas ruas vivem gente,
Fora de casas, ‘apartadas’
Dos luxuosos apartamentos. 
Gente sem nome, 
Dormindo ao relento,  
Nas calçadas fétidas
Dos cuspes do dia a dia.

Onde estão os meus 
Antepassados?
Que passam por este 
Tão triste decadente 
 Andamento.
Cegos! Inoperantes!
Deixam-se seduzir
Pelas migalhas largadas,
Contentam-se com lixo,
Com o capricho dos ‘donos’
Do mundo.

Libertação?!
Libertação?!

Reajam aos dominadores
Não deixem que os façam 
Escravas e escravos indiretos,
Sejam resistentes 
A duradoura batalha
Que outrora perdemos.
Mas que agora 
Estamos prestes a vencer.
E viver é preciso?
Basta de história ‘furada’
Tomemos o leme desta 
Grande barca, e rememos
Ao norte libertador,
Longe das tiranias  
Dos que nos afligem.


Libertação! Libertação!


jornalmatuto@homail.com http://www.flickr.com/photos/fotosmatuto/

sábado, 7 de novembro de 2009

MERO POEMA




Pincéis parados e vasos vazios
Livros, páginas marcadas e versos

No corredor da casa que moro,
Cobertores estendidos, letras
Desorganizadas na agenda
Cartas de amante
Tesouras, jornais e janela 
Aberta.
Telas prontas, cartazes e panos
Esquemas de cores, café e pratos
sujos na cozinha.
Lá fora cantam os pardais
Riem os rivais que passam
Nas ruas calçadas de pedras 
E de lages graníticas. 
Uma rede posta na sala
Onde há pouco lia
As entrelinhas de Neruda
E me refazia das noites perdidas. 
O gato que vez ou outra me visita

Deitado ao pé da mesa
belisca-me.
Mais calma minha cabeça agora
pensa, 
e compõe este mero poema.  

Franz Tagore 

Foto por: Erwin Gross


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PONTO DE VISTA




O recomeço é o ponto de partida
Dum começo para outro reinicio.
Digo isto dum ponto de vista
Do tempo que agora reconheço
Como caminho dos nossos delírios.
Percebendo um notável desnível
na embarcação que leva-nos
á um ponto de recomeço,
sabemos então dum inicio para
outros pontos de vista.
Considero próprio da mulher
o hábito do redirecionamento
dos seus rumos, e aplumamento
dos seus planos, um novo plano
para escapar do mesmo ponto.
Pronto nunca estaremos
Para enxergarmos os motes
Do outrem
que atravessa o mesmo plano.
Nas águas que queremos navegar
Há calmaria, brisa leve e doce,
Quem me dera fosse neste momento
a partida
pro outro ponto que tenho em vista.


Franz Tagore

terça-feira, 3 de novembro de 2009

GAIOLA DO MUNDO

Os pingos de chuva amargos
Chuviscou meu corpo desequilibrado
E entre os becos e botecos
Ando a esmo como um Pinóquio
Desconjuntado, mentiroso.
Toda amargura depois da chuva
Resfria meu corpanzil de grilo
É o que sou agora.
Entro na casa de um amigo
E mitigo um quente café
Despejado numa xícara com asa
Ouso ficar em silêncio
E mantenho-me vivo
Arredio de qualquer sorte.
Inconfessável bravura
Súdito esmilingüido
Sem nome nem apelido.
Torno a porta de pé
Desta vez com mais disposição
Ignoro a presença dos meus
Abro a porta da frente
Atiro-me ao mundo
Gaiola que fico acoplado,
Sou preso no seu espaço
no seu estômago combustivo.

Franz Tagore

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

METAMORFOSE





Quem me procura na aparência antiga de lagarta?
Não me encontrará. Pois foi a metamorfose,
que deu-me asinhas coloridas.
Há pouco era um louco,
que varria das vistas
o verde das folhas.
Tanta clorofila,
Tanta fila,
Fiquei
Feio.
Agouro?
Agora não mais.
Apenas transformação,
Crescimento retilíneo das asas,
Desenvolvimento da imaginação.
Estou vívido nos campos da vida que aflora,
Afora das tendas do preconceito, eis que tinha no peito.
Tenho ido e vindo no meio da flora, nos bons sentimentos d’agora.
Quem me deu bons fluídos, a natureza, a florzinha, ou a poesia desta hora?

FRANZ TAGORE

LAMENTO




Até que tento
escrever versos de contento
mas, há escuridão que encobre
a alegria dentro de mim
me esforço no intuito
de manter-me em boas ondas
duma energia positiva,
não desta fatia, doutra parte
dum gomo de laranja podre.
Caminhos difusos no cinza
indefensos por seus gestos
de intranqüilidade.
Sombreados pensamentos.
Lamento não escrever boa poesia;
Não encantar corações
Falando de amores;
Lamento estar doente,
Perto da morte, isolado do mundo.
Envolvi as cores dos quadros,
consumi as rimas nos versos
e perdi a serenidade
só me resta a fotografia,
onde paraliso sinais contentes
dos que tem algo para sorri
isto já perdi por desatento, lamento.


Franz Tagore

domingo, 1 de novembro de 2009

LIBERDADE


L
I
B
E
Me R
Vejo D
Preso A
Nos dias, D
Nas horas, E
Nos meses e
Anos. Premido
Entre as paredes
Desta grande casa,
De onde canto triste,
Donde choro no canto.
Desde pequeno no berço
Fui enjaulado, bem-criado?
Liberdade não
Conheço, não
tenho no peito
para te anotar
liberdade não
mereço, pois,
não sei usar,
alvedrio não,
vivo reprimido
não sei voejar

Franz Tagore

CÂNCER




Dominado o homem agora chora,
Já secam suas lágrimas legítimas,
Tem dor
E ardor na sua garganta
E são tantas as corrosões,
Que escorre coágulos
Como salmoura de carne bovina,
Poucos dias de vida
Restam-lhe, oh bom homem.
O carcinoma te devora vivo
E toma-te pelo braço
E te leva para a morte,
Tu és forte, e ainda resiste,
Magricelo, quase sem forças,
Andeja entre os caminhos
Mais incômodos.
Está ferido homem,
E para onde vai?
Não importa aonde vá,
Em sua execrada sombra
Rasteja um ferimento,
Um escorrimento de sangue,
A doença irá contigo
E te absorverá,
Ate que caia e faleça.

Franz Tagore